Ontem fui fazer mais um vídeo amostragem pra ficar nos arquivos da Globo. Fora toda a ansiedade que isso causa num ator, tive a falta de sorte de não terem marcado um horário certo pra mim, então esperei mais de 4 horas para poder gravar. Ainda tive o azar de acordar nesse dia passando mal, enjoada, provavelmente por algo que comi no Domingo (tenho vários problemas psicosomáticos, mas nesse caso, tenho certeza que não foi nada emocional), e por conta desse enjôo, só consegui comer uma maça de manhã.
Enquanto eu esperava e os ponteiros do relógio andavam, a fome de leão vinha chegando, o frio do ar condicionado ia aumentando, eu já não aguentava mais passar o texto na minha cabeça, ler besteiras de revista, fazer exercícios de fonoaudióloga e rezar. Chega uma hora que inevitávelmente pensamentos chegam na sua cabeça, como: "Meu Deus, é isso que quero pra mim? Preciso disso? Acho que se ficar mais DOIS anos nessa vida, vou ter que partir pro plano B da vida".
Até que perto das oito da noite fui chamada; a produtora de elenco, com a maior paciência do mundo, viu a minha proposta de encenação e pediu pra eu mudar, pra fazer minha personagem mais neurótica; não questionei e mudei tudo na hora. Acabei assistindo o resultado final, que não me desagradou, mas sei que podia fazer melhor, principalmente se soubesse desde o início o modo como ela queria e se não tivesse tão exausta e esgotada como estava. Saí de lá frustrada!
Graças a Deus, hoje, a esperaça ficou e os pensamentos ruins que chegaram a me perturbar ontem se foram; na Caixa de Pandora, junto aos males estava a esperança, e mesmo com as frustrações e desapontamentos, ela é uma luz que nos guia, ainda que não ponha fim à escuridão da vida. Sei o que estou fazendo aqui no Rio, tudo que deixei para atrás e o árduo caminho que ainda tenho que seguir. Já não me atordou quanto tempo vou ter que esperar, se dois dias, dois meses ou dois anos, acho até que está mais perto que longe.
E que as palavras de Plínio Marcos me dêem cada vez mais luz: "..O ator deve se conscientizar de que é um Cristo da humanidade: seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. Ele deve saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios... A recompensa possível não é o dinheiro, nem o aplauso. Mas a esperança de poder rir todos os risos e chora todos os prantos..."
Viva o Teatro!!!